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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Provérbios

Um provérbio é uma frase pronta, que contém uma verdade constatada no dia-a-dia, a qual as pessoas ouvem e repetem. É uma sentença curta, rica em imagens, constituindo-se principalmente de contrastes e comparações. Não contém necessariamente um ensinamento moral, mas traz consigo uma sabedoria adquirida através da experiência de vida. É de caráter prático, indicando o caminho para uma boa conduta dentro dos princípios estabelecidos pela comunidade a qual se pertence.
Os provérbios ou ditados populares são muito eficazes porque evitam o discurso longo e tedioso, ou seja, economizam tempo e são de fácil assimilação. Imagine que em vez de dizer “Em boca fechada não entra mosca.”, você tivesse que dizer: “Não fale mais do que se deve porque você vai ter problemas com a pessoa de quem você falou.” Com certeza não teria o mesmo efeito, tanto por ser mais extenso, portanto com maior propensão a cair no esquecimento, como por não apresentar imagens concretas do mundo exterior, ficando apenas na abstração. A referência à mosca remete a doenças, e essa associação facilita o entendimento da gravidade do ato de falar o que não se deve.
Um provérbio deve necessariamente estar inserido em um contexto social, pois o seu conteúdo reflete a ideologia de uma dada comunidade. São os valores e crenças desta comunidade que serão transmitidos através desse gênero textual que vigora entre os escritos sapienciais justamente por revelar a sabedoria popular, a voz coletiva, o senso comum, reconhecido como “aquilo que todo mundo diz”.
Serve para alertar, especialmente os mais jovens, quanto ao perigo existente em situações já experimentadas pelos mais velhos, no objetivo de que aqueles não caiam na mesma “armadilha” que estes e sofram as consequências negativas.
Provérbios foram criados para serem observados, assimilados e divulgados, por isso possuem uma forma simples, utilizando recursos como rima e ritmo para facilitar a memorização.
O provérbio surge de uma realidade observada pela maioria das pessoas que, através de vivências do cotidiano, chegam à constatação de uma verdade.
Imagine a seguinte situação:
Você está passando a margarina no pão e ele cai da sua mão. Qual o lado que fica para baixo? O lado que está com a margarina, é claro!
Dessa experiência, poderíamos criar o seguinte provérbio:
“Pão quando cai, margarina lá se vai!”
Ao ser divulgado, a maioria das pessoas concordaria que isto realmente acontece e continuariam a divulgação no intuito de alertar para o fato.

Os provérbios eram comuns em Israel. Enquanto discurso didático, eles eram muito utilizados pelos sábios para transmitir aos seus discípulos conhecimentos de caráter prático, objetivando uma vida de qualidade que incluía bom senso, pensamentos elevados e atitudes corretas.
O livro de Provérbios é uma coletânea desses “ditados populares” que o povo de Israel utilizava para ensinar os princípios estabelecidos naquela comunidade. O próprio Salomão ressaltou que escreveu Provérbios “para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência. Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade; para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso”. Nesse livro podemos encontrar assuntos como autodomínio, mentira, amizade, vícios, tentação, preguiça, generosidade, sexo, fofoca, entre outros.

Veja alguns exemplos:
“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”. (Pv. 17:17)
“A ira do insensato num instante se conhece, mas o prudente oculta a afronta”. (Pv. 12:16)
“O mexeriqueiro revela o segredo, mas o fiel de espírito o mantém em oculto”. (Pv. 11:13)
“Não dês às mulheres a tua força, nem os teus caminhos às que destroem os reis”. (Pv. 31:3)
“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio”. (Pv. 6:6)

Por tratar de temas referentes à condição humana universal, os provérbios são sempre muito atuais; estão sempre presentes no discurso educativo dos avós, pais, professores etc. na tentativa de transmitir ensinamentos que contribuam para levar os mais jovens a terem atitudes mais sensatas. Sábio é o que incorpora o ensinamento proverbial não só ao seu discurso, mas também às suas ações, sendo capaz de avaliar as situações de risco e manter-se em segurança; tendo prudência no falar e no agir; tendo iniciativa para o bem e completa incapacidade para o mal. Pois, em um mundo onde se fala de Qualidade de Vida, o grande desafio é viver uma vida com qualidade!

Profª Cristina Ceschini

Referências:

ROCHA, Ruth & FLORA, Anna. Escrever e criar é só começar! São Paulo: FTD, 1996.

Revista JOVENS nº 3 - Vivendo uma vida de qualidade: estudo no livro de Provérbios. São Paulo: Editora Cristã Evangélica, 2005.

FERREIRA, George Emanuel Lira. Uma Introdução aos Escritos Sapienciais. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/28012/1/ketuvim/pagina1.html
Acesso em: 16/01/2010
SANTOS, Mônica Oliveira. Sobre os lugares de Enunciação Coletiva e o Dizer Proverbial. Disponível em: http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/31/htm/comunica/CiI25a.htm Acesso em: 16/01/2010

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